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O futuro do SIG na visão de Jack Dangermond

O fundador e presidente da ESRI concedeu recentemente uma entrevista ao site Government Technology falando sobre o futuro do SIG, novas tecnologias e como a WEB tem ocupado um papel importante dentro do universo de percepção do espaço geográfico no dia a dia das pessoas.

Muitas discussões e especulações sobre o presente e o futuro do mercado de SIG mundial é tida como imcompleta sem pelo menos uma palavra de Jack Dangermond, uma das mais respeitadas autoridades no mercado, sendo chamado por alguns de “Pai do SIG”. (Na verdade, o apelido de “Pai do SIG” é dado ao americano Roger F. Tomlinson, um dos nomes mais respeitados do mundo nessa área, não necessariamente a de mercado. Nós teremos um artigo falando somente dele, logo mais, em outra oportunidade).

dangermond.jpgJack e sua esposa, Laura, fundaram em 1969 o que se tornaria um dos players mais conhecidos do mundo do mercado de software para Sistemas de Informação Geográfica nos dias de hoje, a ESRI. Ela nasceu como uma empresa de consultoria especializada em análises de projetos de uso e ocupação geográfica cujo foco era o de analizar e organizar informação geográfica. Graças à projetos importantes como a o desenvolvimento de um plano para reconstrução de Baltimore, cidade do estado de Maryland, e assessorando a Mobil Oil para determinar um lugar na cidade de Reston, Virginia, entre outros, conferiu à empresa de Jack uma grande bagagem em termos de processos e ferramentas para análise espacial que seriam mais tarde aplicados em um ambiente computacional. E foi isso que aconteceu no começo dos anos 80, quando a ESRI lançou em 1982 seu primeiro SIG comercial, o ArcInfo.

Reproduzimos a seguir, devidamente traduzido e adaptado, a entrevista dada ao site Government Technology em janeiro de 2008:

Governant Techonology: Qual o impacto que aplicações de visualização de dados espaciais, como Google Earth e Microsoft Virtual Earth, têm no mercado do SIG?

Jack Dangermond: Google e Microsoft realizaram um fantástico trabalho ao desenvolver aplicações amigáveis aliadas a recursos de imagens de satélite e mapas. O impacto desses serviços no mercado de SIG tem sido positivo porque isso possibilitou que muitos usuários pudessem visualizar e perceber os dados espaciais de uma maneira fácil e próxima.

Governant Techonology: O que as aplicações do tipo Mashup significam para a ESRI? Essas aplicações podem afastar possíveis clientes ou apenas reforçam o interessem em SIG?

Jack Dangermond: Acredito que a questão mais importante é “o que elas significam para os usuários?”. Nossos clientes são organizações que criam conhecimento geográfico baseado em uma série de informações. São usuários que utilizam aplicações geoespaciais para suas respectivas áreas de atuação como em Utilities, meio ambiente, área científica e a de negócios.

Essas novas soluções voltadas para WEB proporcionam uma nova maneira pela qual os usuários dissipam informação e conhecimento, alcançando assim muitas outras pessoas. Essas aplicações não substituem um SIG convencional, mas podem complementar o modo como o conhecimento geográfico é acessado por usuários “não GIS”.

Governant Techonology: O futuro das aplicações será baseado numa plataforma WEB?

Jack Dangermond: Não resta dúvida que a WEB, Web Services e Arquitetura Orientada a Serviços (SOA) fornecem um novo padrão de desenvolvimento para aplicações SIG, assim como padrões baseado em servidores multiusúarios. E nesse foco, o centra de um ambiente WEB passa a ser aplicações do tipo servidor, como por exemplo o ArcGIS Server. Cada vez mais esse modelo será usado para servir dados e mapas para outros usos na WEB. O servidor será uma plataforma de suporte de integração para sistemas SIG.

Minha previsão é que a sociedade estará mais familiarizada com dados e ferramentas de visualização espacial. Eles estarão cada vez mais interessados em serviços que possam ir além de imagens e mapas. Servidores SIG, mantidos e gerenciados por organizações públicas e privadas, serão utilizados para oferecer esses tipos de serviços complementares que as pessoas irão necessitar. Mas enquanto uma grande quantidade de dados SIG pertinentes ainda não podem ser disponibilizados na internet (devido a questões de segurança, custo, propriedade e privacidade), muitos assuntos que são de interesse público como criminalidade, riscos ambientais e outros vão sendo aos poucos disponibilizados pela comunidade SIG.

Algumas pessoas têm sugerido que as organizações que produzem e utilizam SIG não compartilham suas informações com as outras, mas a experiência tem mostrado que compartilhamanto é tudo. Todo o conceito de SIG e de tecnologia é baseado na idéia de compartilhamento e integração de informação visando muitas fontes. A Web e os Web Services representam uma nova e poderosa forma de compartilhamento e colaboração de informação.

Governant Techonology: ArcGIS e Google Earth podem coexistir e prosperarem?

Jack Dangermond: Sim. Embora essas duas aplicações sejam projetadas para diferentes propósitos, elas estão se projetando uma na outra. Profissionais de SIG podem facilmente montar seus mapas e mostrá-los aos seus clientes/usuários e então estes podem aproveitar desses informações simplesmente utilizando uma plataforma como o Google Earth. É bom observar que padrões interoperáveis têm feito a diferença nesses tipos de serviço, como por exemplo SOAP, XML, OGC e REST.

ArcGIS_Server.jpgA ESRI também tem implementado um conjunto de serviços e aplicações online com recursos que empregam imagens, mapas e conteúdos relacionados. Este conteúdo é gratuito e de fácil acesso por parte de todos os nossos clientes usando um cliente chamado ArcGIS Explorer. O ArcGIS Explorer é um visualizador no estilo Google Earth, mas voltado para ambientes SIG. Ele está sendo implantado em muitas organizações como um visualizador de SIG padrão porque fornece conteúdo gratuito e recursos de visualização, assim como a possibilidade de acessar dados e informações espaciais disponibilizadas num ArcGIS Server. Esta solução é focada no usuário que queira acessar dados de um SIG, mas que não necessariamente precisem aprender sobre a tecnologia - eles só querem usá-lo como um serviço.

Governant Techonology: Ainda nesse foco, do ponto de vista técnico, produtos como o Google Earth podem ser considerados como aplicações SIG ou são uma outra coisa?

Jack Dangermond: SIG é uma tecnologia sofisticada, concebido por um modelo rico em informações e com uma infra-estrutura própria de gerenciamento de dados. Ela também integra, literalmente, ferramentas de cartografia, ferramentas de análise espacial, visualização de dados e informações espaciais, além de oferecer suporte a muitas formas de customização que ainda possibilitam realizar uma varieadade de workflows. As ferramentas de Web Mapping da Google e Microsoft são focadas na rapidez e facilidade de visualização de imagens e dados. Elas são projetadas para fazer apenas uma pequena parte do que uma solução completa de SIG faz. Elas são altamente otimizadas para fazer o que eles fazem, mas não são adequados para tarefas mais complexas das quais profissionais de SIG realizam. As diferenças fazem estas tecnologias interoperáveis e trazem muitos benefícios.

Governant Techonology: Como a ESRI está se adaptando às mudanças, no que tange a software, no mercado de SIG?

Jack Dangermond: Este é um momento muito emocionante para o SIG e para os profissionais que fazem utilizam dessa tecnologia. Estamos percebendo um grande crescimento, interesse e adoçao por SIG. Isso é impulsionado, em parte, pela crescente sensibilização causada pelas plataformas de visualização para WEB e pela constatação dos benefícios que um SIG pode forncecer às empresas e organizações. A tecnologia ESRI está continuamente evoluindo - particularmente no que diz respeito a WEB Services.

Nossa mudança de foco, principalmente relacionado ao servidor, está ajudando nesse respeito. Estamos vendo cada vez mais interesse em ArcGIS Server, o que possibilita que nossos usuários extendam e compartilhem suas aplicações com seus colegas de outros departamentos, outras organizações e na WEB, usando clientes de visualização. O que vemos também é que nossos usuários estão migrando seus sistemas desktop departamental para soluções que interligam vários departamentos utilizando “GIS Services” compartilhados: o modelo SOA.

Esta arquitetura está permitindo que os usuários integrem processos e serviços SIG com outros sistemas de TI. Esse tipo de “habilidade/recurso” em aplicações permitirá que o mercado de SIG cresça enormemente.

Quem é a ESRI?
Com vendas anuais em mais de $660 milhões, ESRI, tem figurado há mais de 30 anos como líder mundial no mercado de SIG. A ESRI oferece soluções completas que permitem criar, visualizar, apresentar e analisar dados e informaçôes espaciais. Possui mais de 300 mil clientes em mais de 200 países.

Aparecido Leite.gif

Aparecido Leite é graduado em Engenharia Cartográfica pela Universidade Estadual Paulista (UNESP)/SP e mora atualmente em Guarulhos/SP. É Web Writer focado em Geotecnologias e GeoWeb. Trabalha com PHP, WordPress, CSS, Tableless, documentação para SIG e gasta boa parte de suas madrugadas mexendo com Python, GeoDjango, Google Maps API, Virtual Earth SDK, KML e qualquer coisa relacionada a Web Mapping, Neogeografia e SIG.

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COMENTÁRIOS


1 Comentário
  1. geofumadas » Blog Archive » Geofumadas al vuelo Marzo 2008  quinta-feira, 27 de março de 2008  | 4:34 am

    […] piensa Jack Dangermond de las tendencias […]

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